Aquela velha história, mas desta vez…

CHIBATA_CapaA gente já sabe. No começo do século 20, a marinha brasileira punia seus marujos com chicotadas. Os marinheiros de baixa patente eram em sua maioria negros; os oficiais, todos brancos; e a marinha, a força militar mais leal ao império que caíra em 1889.

João Cândido, um marinheiro filho de escravos alforriados, liderou uma revolta bem sucedida contra o costume dos oficiais brancos de chicotear os marujos negros. Embora tivessem anistiado os revoltosos, as autoridades republicanas prenderam João Cândido e o trataram com requintes cruéis.

Em Chibata!, criação de Hemeterio e Olinto Gadelha (Conrad, R$ 41), a Revolta da Chibata é relatada numa narrativa gráfica repleta de flashbacks e imagens simbólicas.

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Corajosos, leais e bons de briga: vikings no seu jogo!

A saga viking (Revista História Viva, Grandes Temas nº 21, R$ 12,90, 82 páginas, Editora Duetto) é uma revista bem cuidada em que historiadores, cineastas e arqueólogos falam destes bravos marinheiros que conquistaram os mares da Idade Média e se transformaram em sinônimo de aventura. O exemplar aborda o movimento de migração (quando os vikings atacaram cidades francesas, tomaram porções da Inglaterra, fundaram a Rússia…), a vida cotidiana (as casas de taipa, os deuses mitológicos, os barcos e as armas) e a representação destes povos do norte pelo romantismo europeu do século 19 e pelo cinema norte-americano.

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Descalços, violentos e famintos: bandeirantes no seu jogo

Bandeirantes de Ivan Wasth

Ameias, cavaleiros, castelos: uma hora cansam. Pistolas laser, sabre de luz e samurais revigoram? Nem sempre. Tem quem não suporte mais escolher entre a fantasia medieval e a ficção científica.

Para quem estiver na necessidade de uma mudança radical, o exemplar 34 da Revista de História da Biblioteca Nacional (Ano 3, nº 34, Julho 2008, R$ 8,9) oferece um oásis: um apanhado maravilhoso sobre os bandeirantes.

Na matéria Bandeiras mestiças, descobrimos que os bandeirantes eram moradores da vila de São Vicente (atual São Paulo capital, por assim dizer) que caçavam índios para usá-los como mão de obra na difícil tarefa de vergar aos portugueses os perigos da Brasil recém-encontrado.

A mescla de portugueses e índios na ocupação do território que hoje forma nosso país é explorada em três artigos, cada um dedicado a uma região.

No nordeste, bandeirantes baianos movem uma guerra de dizimação contra os tapuias para ocupar o sertão (Guerra aos tapuias).

No Piauí, Domingos Jorge Velho, o mesmo que combateu mais tarde o Quilombo dos Palmares, chefiou um povoado constituído de uma maioria esmagadora de índios (Piauí de paulista).

Já em Minas Gerais, temos o fenômeno das bandeiras a todo vapor. Os bandeirantes buscavam nos sertões mineiros tesouros, terras e índios (Sertão mineiro loteado à força).

Indios de Ivan WasthUma das matérias mais suculentas para RPGistas, Descalços, violentos e famintos, traz detalhes dos costumes dos bandeirantes, facilitando a construção de personagens do tipo em qualquer sistema de jogo.

Vemos lá suas ocupações (capitão, alferes-mor, capelão, tropeiro, índio guerreiro, escrava índia e mamelucos), habilidades (caça e pesca, comunicação por fogo, seleção de alimentos silvestres, etc.), estratégias de guerra (luta armada, dissimulação e escambo), armas (bacamartes, arcabuzes, arcos, facas, espadas), roupas (gibão de couro de anta, chapéus, etc.), perigos (índios inimigos, jesuítas, insetos, cobras, onças) e até comidas como cobra, formiga assada e outras iguarias, tudo complementado por um mapa e por desenhos de um dos maiores ilustradores de história que o Brasil já conheceu, Ivan Wasth Rodrigues, cujo talento você já confere nas figuras deste post.

Somos todos bandeirantes e Heróis em construção, dois textos que fecham o dossiê, abordam o uso da figura do bandeirante na construção da identidade paulista durante a República Velha, assunto que pode dar uma mão para quem quiser uma aventura de teor político na primeira metade do século 20 brasileiro.

Guerra na Idade Média

A revista História Viva de junho (ano IV, nº 45, R$ 10,9) é muito boa para amantes da Idade Média. Ela traz um dossiê sobre uma de suas atividades mais famosas: a guerra.

A publicação aborda cinco assuntos. O primeiro é a aliança entre religião e guerra que aconteceu no período e que culminaria no apoio do papa às Cruzadas, nos feriados com os quais a Igreja tentava diminuir os conflitos, nas cerimônias de sagração, etc.

O segundo texto discorre sobre a posição da cavalaria entre as demais tropas medievais. Seria ela um corpo de combatentes imprescindível, letal e glorioso em cima de possantes corcéis? Dificilmente, pois os cavaleiros costumavam lutar à pé e, por serem indisciplinados, reduziam muito a potência do ataque de cavalaria.

Os mercenários também ganharam espaço na revista. Eram contratados para defender igrejas e suplementar os exércitos de um senhor feudal. Com o tempo, o rei passou a monopolizar sua contratação. Isso não impedia que, com o final das batalhas, os soldados se convertessem em saqueadores.

A parte que fala dos condottieri (mercenários italianos) interessa bastante por causa da pincelada sobre as intrincadas disputas políticas da Itália renascentista. Há a foto do busto de Colleone, com cara de mau e capacete, olhos vidrados, muito viril.

Depois de duas páginas com uma ilustração para cada uma das principais armas medievais (armadura de cavalaria, besta, catapulta e arco&flecha), adentra-se nos corredores úmidos dos castelos em um artigo que aborda sua função militar, suas mudanças arquitetônicas e sua importância para a economia. Tem ainda um quadro das dez principais táticas de cerco.

O dossiê termina ao tratar da teoria da guerra na Idade Média. Nesse campo, o lugar mais destacado foi ocupado por uma mulher, Christine de Pisan, que escreveu no começo do século 15 um manual de estratégia para os homens de armas.

Todas as partes do dossiê apontaram para as qualidades lúdicas das guerras medievais. Os esportes para treinar cavaleiros, os duelos na frente dos castelos sitiados, com regras de jogo e espaço para desforra de pobres contra ricos.

Infelizmente, os dois primeiros textos não trazem a clareza comum às publicações de divulgação. Mas o leitor poderá aproveitar as informações da matéria, ainda mais se nos lembrarmos de que no Brasil existem poucos títulos sobre o assunto.