Aquela velha história, mas desta vez…

CHIBATA_CapaA gente já sabe. No começo do século 20, a marinha brasileira punia seus marujos com chicotadas. Os marinheiros de baixa patente eram em sua maioria negros; os oficiais, todos brancos; e a marinha, a força militar mais leal ao império que caíra em 1889.

João Cândido, um marinheiro filho de escravos alforriados, liderou uma revolta bem sucedida contra o costume dos oficiais brancos de chicotear os marujos negros. Embora tivessem anistiado os revoltosos, as autoridades republicanas prenderam João Cândido e o trataram com requintes cruéis.

Em Chibata!, criação de Hemeterio e Olinto Gadelha (Conrad, R$ 41), a Revolta da Chibata é relatada numa narrativa gráfica repleta de flashbacks e imagens simbólicas.

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História de pirata em quadrinhos

Isaac o pirata: a versão brasileira, pela Conrad, é P&B.

Christophe Blain é um quadrinhista de boa cepa que alcançou sucesso estrondoso com Isaac Le Pirate. Os três primeiros de seus cinco volumes saíram no Brasil pela Editora Conrad (R$ 39,00).

Isaac le pirate: a edição francesa é colorida. Mas custa euros!!!

A gente pode acompanhar as histórias de Isaac e sua amante, Alice. Eles começam um nos braços do outro, separam-se quando Issac embarca para as Américas, e enfrentam desafios cada qual de um lado do oceano.

A separação provisória do casal acontece porque Isaac, pintor ainda desconhecido, deseja partir numa longa viagem marítima para desenhar longas séries navais. Alice fica para esperá-lo, mas, como toda moça bonita, se vê às voltas com charmosos pretendentes.

Enquanto isto, Isaac se engaja na tripulação de Jean Mão-Boba, capitão pirata obcecado pela idéia de explorar as terras gélidas do sul do globo terrestre. O restante da tripulação, como o médico Henri e marujos como Pesado, Ferro e outros, é muito marcante.

Christophe Blain narra as aventuras de Isaac e Alice de forma intercalada, variando entre elas com suavidade idêntica a de seus traços. Sem dúvida uma HQ de primeira, que vale mesmo a pena. Contudo… Sim, contudo…

A Conrad não revela ao leitor brasileiro que o volume que ela publicou traz apenas três dos cinco volumes da série. Nem menciona que, no original, Isaac Le Pirate é colorido, e que o branco e preto parece ser coisa própria da edição brasileira.

Os quadrinhos do Cabeleira

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O Cabeleira, de Leandro Assis e Hiroshi Maeda (roteiristas) e Allan Alex (desenho), pela editora Desiderata, traz para os quadrinhos a obra homônima de Franklin Távora, publicada em 1876 e classificado como o primeiro romance regionalista ambientado no nordeste brasileiro.

Considerada o quarto melhor lançamento de 2008 pelo Quarto Mundo, esta história em quadrinhos traz como personagem central o Cabeleira, famoso bandoleiro do nordeste do Brasil colonial. Seus coadjuvantes, o pai (também bandoleiro) e um comparsa negro. Eles tinham sangue no olho: assaltavam igrejas, viajantes, delegacias. E o Cabeleira era conhecido por ser um assassino brutal e… como dizer… cabeludo.

O uso do flashback foi essencial no gibi, pois a história em si dura pouco. Cabeleira, o pai e o comparsa matam um amigo de infância do Cabeleira. O irmão dele parte em vingança. O bispo, que teve a igreja assaltada pelo bando do Cabeleira, pressiona as autoridades para que dêem fim aos bandidos.

Durante esta dupla perseguição, uma série de flashbacks acrescenta profundidade aos personagens. A relação conflituosa do Cabeleira com o pai. A desconfiança que perpassa os envolvimentos criminosos. A sociedade autoritária, brutal e miserável do Brasil açucareiro (semelhante àquela dos noticiários de hoje em dia…).

O traço de Allan Alex deu às cenas uma agilidade arrepiante, principalmente àquela da perseguição do comparsa do Cabeleira pelos policiais. Intensa, sintética e precisa. Ótima.