Continuando a série de três cavaleiros tenebrosos, chegou a vez do segundo: o Cavaleiro Leal. Ele é um PT (Personagem do Taverneiro) para Malditos! O Taverneiro deve usá-lo como elemento de aventuras e assombrar os Boêmios.
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O Cavaleiro Leal (5 Pontos de Personagem)
Background prático
O Cavaleiro Leal vaga pela floresta de *** à procura de seu coração, no qual ficou esquecida a mensagem que ele levava para seu rei. Sua aparência é a de um esqueleto dentro duma armadura; sem língua, bochecha, nem uma nesga de carne, incapaz de falar. Ele surpreende suas vítimas, abre-lhes o peito, retira o coração, e invariavelmente abandona no local do assassinato o precioso órgão.
O povo da vila sussurra que o Cavaleiro Leal é um espírito rancoroso, afeito ao derramamento de sangue indiscriminado. Sempre que liquidado por um caçador, o danado retorna e faz novas vítimas. Na verdade, esta alma penada descansará somente se alguém lhe restituir aquilo que ela procura. Como fica difícil encontrar um coração nas tripas de lobos mortos séculos atrás, uma alternativa eficaz talvez seja encontrar a mensagem perdida.
Aspectos
- QDVA (0): 20
- QDVI (+1): 1D+3
Perícias (+4)
- Condução 1
- Esportes 3
- Esquiva 3
- Furtividade 2
- Pancada 3
Background em forma de conto
Um cavaleiro ligeiro e garboso atravessava a floresta para levar a um aliado de seu rei uma mensagem tão crucial, tão vital, que ele tivera mesmo que a aprender de cor. Ao invés de um papel junto ao peito, carregava as palavras no coração.
Uma moça belíssima, de cabelos ruivos chamejando ao redor de um rosto límpido como o gelo, os olhos profundos e maliciosos, tomou-lhe a atenção. Ela queria saber aonde ele ia. O cavaleiro jamais explicaria, mas desatou a falar.
— Vou para ***.
— Para ***? Mas fica tão longe, cavaleiro — ela observou enquanto se sentava (seu vestido descobriu a perna alva e bonita, que formava com os braços nus um par muito atrativo, como o dos seios…).
— Mas é algo vital — as palavras jorraram do cavaleiro — Uma mensagem para o senhor de ***. Se ele não a receber, a guerra devorará meu reino — sua consciência tremeu — Um… um ataque…
— Um ataque? Mas como vocês homens se arriscam, cavaleiro (o sorriso da bruxa revelou dentes muito claros, que salientaram o carmim dos lábios sedutores…).
— Sim, sofreremos um ataque surpresa… — um frisson abalou até os nervos mais brutos do guerreiro. Ele empalideceu, mordeu a língua, e prossegui! — Mas como entregarei essa mensagem, massacraremos o inimigo e a guerra penderá a nosso favor.
A garota fitou-o atentamente. Ela decodificava seu brasão. A malícia anda com a inteligência. Ela voltou a falar:
— Por favor, homem de armas, deixe essa simples rapariga ajudá-lo. Há quantos dias você viaja?
— Muitos.
— E os riscos?
— Mortais.
— Acompanhe-me. Em minha cabana, um leito quente espera seu sono. Seu sono. Nada melhor do que dormir depois de tantos dias de viagem, e melhor ainda descansar agora para vencer os futuros perigos.
— Sim, isso mesmo! — respondeu o cavaleiro com uma empolgação de que se envergonhou de imediato.
A feiticeira ruiva foi na frente, indicando o caminho com um manhoso “por aqui”. O cavaleiro, quando quis esporear a montaria, percebeu que seu corpo estava completamente inerte. Em seguida, despencou. O cavalo, assustado com a repentina queda do amo, disparou bosque adentro.
O guerreiro passou fome, sofreu com as formigas que invadiam sua couraça para mordiscar sua pele e não pôde gritar enquanto os lobos dilaceravam sua carne e lambiam seus ossos com aquelas línguas que imitavam o couro do demônio. O inverno esfriou sua armadura, estalou-lhe os ossos. Mas os raios da primavera quebraram o gelo. E ele se surpreendeu ao colocar-se de pé novamente, sacolejando os ossos dentro das placas metálicas. Todavia, a falta do coração impedia-o de lembrar a mensagem do rei.
Hoje em dia, qualquer um que viaje pela floresta sem prestar atenção aos estalidos do Cavaleiro Esqueleto corre sério risco de cair em suas garras desesperadas. Acometidos por espasmos de terror que nunca os abandonam, todos os sobreviventes contam sobre as lágrimas que escorrem das órbitas vazias em que ficavam os olhos sinceros do cavaleiro leal.
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